Radicalização ou conciliação?
- Categoria: Politica e Sociais
- Publicação: 10/09/2025 09:02
- Autor: Rodrigo Botelho Campos - Economista
O planeta vive uma contradição político-ideológica explícita que reflete a polarização em curso entre dois blocos: um, liderado pelos EUA junto com a OTAN e outro, liderado pela China junto com os BRICS. Uma nova velha “guerra fria” está em curso, com componentes preocupantes de “guerra quente”. No limite, estarrecedor, a mais quente delas, a guerra nuclear.
Nos diversos países esta contradição se transpõe se moldando ao contexto. No Brasil é o ingrediente do processo político em disputa pela narrativa em torno da tentativa de golpe liderado pelo ex presidente JB, alimentando a disputa eleitoral de 2026.
A polarização é um dado de realidade. Os lados se posicionam. Para estes há nitidez de propósito.
Outros, que são muitos, são contra a polarização com o argumento de serem contra este fenômeno político-ideológico; que são de centro, que a polarização é ruim para o país, etc. Esquecem que nos EUA, republicanos e democratas se revezam no poder há dois séculos. Que em toda a Europa direita e esquerda, dos diversos matizes, se revezam no poder há décadas.
Os de centro constroem uma narrativa para justificar um projeto de poder em si, procurando se distinguir dos demais, à direita e à esquerda. Ideologicamente, nos pontos cruciais da pauta, quando se debate questões específicas, estes estão à direita do perfil político ideológico. Salta aos olhos, contudo, um aspecto crucial: quanto à perpetuação do Estado Democrático de Direito afirmam estarem de acordo.
Os atos públicos dos últimos dias liderados pelas forças políticas assumidamente liberais/conservadoras, de direita, muitos proto-fascistas, outros fascistas, vão noutra linha, dando sequência aos episódios que somaram esforços para uma saída golpista.
O discurso do governador de São Paulo, por exemplo, é uma contradição pragmática explícita sem pudor, assumidamente de direita. Vamos aos argumentos dele: 1) propõe anistia antes da sentença final. Só faltou falar que houve o crime da tentativa de golpe; 2) havendo a anistia, por hipótese, faz de JB um candidato forte à presidência, podendo definitivamente afastá-lo desta oportunidade em 2026. Ou seja, faz discurso para amealhar simpatia deste segmento político-ideológico-eleitoral; para, se for candidato, dividir com um candidato à direita dele, da família Bolsonaro, que é bolsonarista, visando um eventual segundo turno na disputa presidencial; 3) propõe anistia para ser conciliador, mas defenestra o PT com ódio, destilando fel. Conciliador? Pacificador?; 4) acusa o processo de não ter provas, que só tem uma delação. Falseia a realidade. É só ir aos autos, pois tem provas materiais; 5) insiste numa tese inconsequente: tergiversa sobre a lei, que é claríssima: a punição é pela tentativa de golpe. Afinal, se o golpe fosse bem sucedido, a justiça não estaria com os golpistas nas barras do tribunal.
Pode-se ser a favor ou contra, pode ser que resultado for (acho que os golpistas serão punidos e não terão anistia), mas há que se reconhecer que é um julgamento histórico: pela primeira vez na história brasileira generais e outros serão julgados por tentativa de golpe de Estado.
Aí, se pergunta, radicalização ou conciliação? A dialética que move a vida suscita ser um falso debate em si. Não é um ou outro, mas a síntese a partir das teses de cada qual.
Na disputa política pelo comando dos aparelhos de Estado nos Estados Democráticos de Direito, a radicalização da argumentação sobre as narrativas, da direita, da esquerda, do centro, deve se submeter à conciliação da nação consigo mesmo respeitando o resultado eleitoral, regra que a democracia instalou para conciliar o inconciliável.
Vamos ao debate, vamos às eleições! Que ganhe quem tiver um voto a mais!
Vamos adiante, lutando!
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