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64, o golpe vestido de revolução: quando o Brasil perdeu sua liberdade para uma mentira militar

  • Categoria: Politica e Sociais
  • Publicação: 31/03/2025 00:02
  • Autor: Por Marli Durant/Agência de Notícias M São Paulo
Lembro claramente do silêncio pesado que se seguiu àquela manhã de abril de 1964. Não era o silêncio da ordem prometida, mas o silêncio da opressão que emergia sob as fardas militares.
Cresci ouvindo histórias sobre a "Revolução de 64". Na escola, nos quartéis, nos corredores políticos, era quase um mantra repetido exaustivamente pela direita brasileira: "Não foi golpe, foi revolução". Mas é preciso nomear as coisas pelo que realmente são. E foi um golpe de Estado, puro e simplesmente.
A ideia de revolução pressupõe transformação profunda, geralmente popular, que amplia direitos e liberdades. O que ocorreu em 1964 foi exatamente o contrário. Não houve avanço social, e sim recuo democrático; não houve libertação, mas prisão, censura e tortura. Os militares não trouxeram modernidade; trouxeram o medo como política de Estado. A revolução prometida era apenas retórica, um artifício linguístico destinado a esconder tanques e baionetas sob um falso manto de heroísmo nacional.
A democracia brasileira, frágil e em desenvolvimento, foi enterrada viva naquela madrugada de março para abril. Professores, jornalistas, estudantes e trabalhadores foram silenciados, enquanto a direita brasileira, conivente, aplaudia. A "revolução" que muitos defendem até hoje nada mais foi que um projeto de manutenção do poder pela força, com apoio de setores conservadores assustados pelas reformas sociais propostas por João Goulart.
Os defensores da ditadura de 1964 ainda tentam pintar com cores heroicas esse período sombrio. Mas contra os fatos não há discurso ideológico que resista. Nossos arquivos históricos estão cheios de documentos que atestam as atrocidades, as prisões arbitrárias e os assassinatos políticos. Foram mais de duas décadas de um regime que não revolucionou, mas involuiu o Brasil politicamente e moralmente.
Relembrar o golpe de 1964 não é apenas um exercício histórico, mas um dever cívico. É preciso reconhecer a verdade, mesmo que doa, para que nunca mais tenhamos que trocar liberdade por uma mentira confortável e assassina.