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Análise Odeio Essa Mulher (1959)

Clássico da década de 50
  • Categoria: Critica de Filmes
  • Publicação: 21/03/2025 00:05
  • Autor: Ricardo Corsetti
"Quem não gosta de jazz, não gosta de música e nem de pessoas". Assim falou, o irascível personagem (um trompetista de jazz, brilhantemente vivido por Richard Burton (sim, o eterno maridão de Liz Taylor) em "Odeio Essa Mulher" (1959), Dir. Tony Richardson. Sem dúvida, eis um dos melhores representantes do chamado "Free Cinema" britânico, que, por um lado, flerta com o Neo-realismo italiano, pela leitura social acerca do cotidiano de seu protagonista: um autêntico "working class hero" que, durante o dia, trabalha numa barraca de feira e, à noite, afoga as mágoas e apresenta todo o seu talento como trompetista de jazz, em bares. Por outro lado, há também uma leitura de viés existencialista sobre o personagem em questão e seus conflitos pessoais. Destaque para a cena de abertura em que ele (o trompetista) executa uma apresentação visceral, num pequeno público (frequentado em sua maioria por negros, a propósito), com um cigarro entre os todos, enquanto toca. Linda e trágica metáfora sobre seu cotidiano, no qual, ele, literalmente, toca o terror entre todos que o cercam, para, no fim do dia, ter um breve momento de reconhecimento ao seu talento. Filmaço!